16 junho 2013

Ação Pública contra a Policia Militar do Estado de São Paulo

amigos meus tiveram perdas consideráveis com o cancelamento de atividades devido às nuvens de gás provocadas pela ação estapafúrdia da polícia militar. Pergunto se não seria o caso de cada comerciário prejudicado abrir uma ação civel contra o estado solicitando ressarcimento de valores, recuperação de lucros não ocorridos? Não sei bem como isso funciona, mas se houvesse talvez uns 1000 processos desta natureza, a polícia pensaria melhor se é ou não hora de ficar jogando bombas indiscriminadamente.

12 maio 2013

Quem é Margot, pintora de Aquarelas?



As aquarelas de Margot,
um exercício de resiliência
Nascida em 1932 no bairro de Itaquera, filha de mãe luterana e pai católico (união sempre reprovada pela família paterna), aos cinco anos Margot teve que deixar o Brasil com seus pais e seu irmão de três anos, porque por recomendação médica, sua mãe com malária deveria habitar um lugar frio. Ignorando apelos de amigos e parentes, seu pai alemão decide levar toda a família à sua terra natal, Augsburgo, sul da Alemanha, em pleno inverno de 1937 e com a esposa grávida de Helga, que nasce logo após a chegada na Alemanha. Dois anos depois, Margot inicia sua vida escolar. Ao mesmo tempo começa a Segunda Guerra Mundial na Alemanha e – isto ela não sabe – seu futuro marido zarpou de Berlim há pouco com toda família, no último navio destino Brasil, evitando o envio a um campo de concentração.

Augsburgo não era alvo preferencial dos ataques das forças aliadas, situação que mudou drasticamente a partir de 1943. A cidade abrigava a indústria de aviões Messerschmitt. Assim, em fevereiro de 1944, a família de Margot sobrevive a uma semana de incêndios, resultado de um gigantesco bombardeio de quinze mil bombas lançadas por quase 2000 aviões americanos. Sem portas nem janelas e chamuscada pelo fogo, a casa de Margot foi uma das poucas que permaneceu de pé. Junto à multidão em fuga, a família recolhe roupas e bens essenciais.  Caminham entre brasas e escombros para o outro lado da cidade, onde o chefe do partido os aguardava. Seu pai era membro do Partido Nacional Socialista.

Os frequentes bombardeios pesam na decisão da família buscar refúgio em chácaras às margens da cidade, pertencentes a parentes. A mãe de Margot decide dividir a família: encaminha cada um dos filhos a diferentes lugares.  Graças ao bom desempenho escolar, Margot, já com onze anos, é convidada a ficar numa escola adaptada em um hotel nos Alpes. Por dois anos perde contato com a família. Apenas quando completa treze anos consegue uma licença especial por influência do partido, para visitar seus pais.

Regressa de trem, sozinha e sob intensos bombardeios. Ataques são constantes nestes últimos meses de guerra. Na estação de Augsburgo seu pai a espera. Outras pessoas não tiveram a mesma sorte. Naquele dia, Margot presencia a poucos metros da estação, uma mulher ser alvejada e cair morta sobre a neve. Retornam a casa de bicicleta, sob um frio de 20 graus abaixo de zero.

São dias caóticos, preenchidos por sirenes de ataque aéreo, amigos próximos sendo presos, outros mortos ou desaparecidos e o constante sair da cama quente para se esconder de pijama em abrigos gelados.  Certa vez uma bomba incendiária perfura a parede da casa, por sorte não explode. 6 meses mais tarde, Margot assiste ao nascimento do caçula logo ao final da guerra. E pela janela de seu quarto assiste à chegada dos americanos na cidade. É a alegria das crianças - pela distribuição de balas e chicletes e o temor das mulheres – contrastado aos frequentes fuzilamentos de nazistas nas ruas.

Nos próximos seis anos de reconstrução da Alemanha, Margot e sua irmã passam boa parte do dia escondidas no sótão, sem escada ou aquecimento, pois seu pai temia que americanos perversos as encontrassem em uma das frequentes revistas. Roupas costuradas pela mãe para os americanos pagam o documento de "desnazificação" do pai. Margot, da janela do sótão, assiste sua mãe desmaiar quando americanos destroem toda horta ao fundo da casa. Aos 18, jovem e questionadora, Margot convence a família a retornar ao Brasil.

Já em São Paulo opta por apagar o seu passado. Consegue trabalho de secretária em uma empresa de importação, onde conhece Gregor, recém contratado. Pouco depois, aos 19 anos, Margot já está casada e grávida. A polêmica desta união supera de longe a de seus pais: o casal muda-se para Pelotas, Rio Grande do Sul pois apenas a mãe de Margot e o pai de Gregor aceitam o casamento de uma filha de nazistas com um judeu. Para o restante da família o tempo fechou. A distância, cartas constantes e o nascimento dos filhos dissipam 4 anos de desavenças entre as famílias e no final de 1958, Margot e Gregor e seus dois filhos retornam a São Paulo. Todos convivem pacificamente. Serão dez anos como dona de casa quando decide voltar a trabalhar de secretária e iniciar aulas de pintura em cerâmica com uma professora chinesa.

Quarenta anos depois dessa primeira experiência artística, viúva e aposentada, retoma o prazer pela arte. Começa a frequentar o curso da UNAT – Universidade Aberta da Terceira Idade do Instituto Mackenzie de São Paulo, onde tem aulas de aquarela. Técnica preferida de Margot, expressa de forma sutil e suave a delicadeza feminina, totalmente paradoxal à sua história de vida.
Conheça alguns dos trabalhos de Margot clicando aqui.

Viste a exposição das Aquarelas de Margot no PLATIBANDA - Rua Mourato Coelho 1365, Vila Madalena.
Abre diariamente a partir das 18h - sábados e domingo a partir das 12h.
Fecha à 1h da manhã.

A exposição vai até dia 21 de maio.

23 novembro 2012

"viajando" em Sarajevo

Hoje viajei pelo Google Earth por Sarajevo. Viagem barata, custou uns 45 minutos do meu tempo e nada mais. Não peguei taxi, nem metrô nem avião. Só pilotei o mouse. Nessa viagem fantástica procurei um hotelzinho barato e algum ponto turístico. Hotel achei vários. Também achei o cemitério, ao lado da Faculdade de Medicina (sintomático) e do Estádio (idem) e do parque principal da cidade... tudo talequal. Agora o que mais chamou minha atenção foi o ponto turístico com mais informações de fotos e comentários dos usuários do Google Earth: a ponte onde foi assassinado um tal principe que deu início à Primeira Guerra Mundial. Bem... se isso é ponto turístico, pode até ser, mas um dos mais importantes, sei lá. Acho melhor esse povo procurar ponto turístico em Salvador. Deve ser mais animadinho. Mas como diria um bom amigo meu: "caduno, caduno".

13 outubro 2012

Recado

Txucarramã tem algo a dizer - Clique no PLAY!

06 outubro 2012

Vamos dançar todos juntos?

Talvez isso me tire do estado letárgico de coma virtual. Espero todos lá no dia 12 e 13 de outubro. Vão treinando que eu também estou treinando.

21 setembro 2012

360° o filme em visão de 720º

Não precisa muito para se descobrir que Antony Hopkins rouba a cena nesse filme que tem "algo" que não funciona. Fiquei tentando descobrir porque AH rouba a cena e não Maria Flor p.ex., que tem beleza e talento para isso. Acho que sei a resposta: assim como é comum em equipe de produção "à lá brazuka" ter uma necessidade de querer provar para todo resto que "nóis é foda", sem que isso realmente fosse tão necessário, também nossos atores e atrizes parece que sofrem do mesmo complexo de mindinho, e tentam provar a todo custo que são indicadores - às vezes até todos os dedos das mãos e pés. Mas - Deusducéu! - já sabemos faz tempo que não são apenas mindinhos (alguém duvida do talento de toda equipe de Fernando Meirelles?), por que querer provar o óbvio? Resultado: Na cena dos diálogos entre MF e AH, fica bem claro como MH baba um ovo para ser admirada por AH que nem se preocupa com isso. Faz o que precisava fazer, como diriam os manos "na humildade". Esses manos deveriam ensinar nossos atores e equipes a trabalhar "na humildade". Não temos que provar nada a ninguém. Basta fazer, como se fosse pra feijoada aqui do bar da esquina. Afinal, entre a feijoada da esquina e o talento de AH, não há diferença nenhuma. Cada um com suas qualidades.

17 agosto 2012

minha amiga italiana

minha amiga A.A. ficou 3 dias aqui com seu filho de 16 anos. Ele é o típico filho de família padovana. Sem ter muito o que fazer, sentou no meu note, pegou o mouse e desenhou com mouse mesmo. Eu que dificilmente acerto o "X" pra fechar um documento com o mouse só olhei e invejei. Um desses desenhos eu pedi para ele salvar.

No mais, ouvir italianos discutindo é muito mais legal que qualquer cena de novela brasileira. Madonna!!!


08 agosto 2012

Silêncio na CPI - Barulho no nosso bolso

É o meu...
É o seu...
É o nosso dinheiro que paga essa palhaçada das CPIs do silêncio. Pergunto: prá que levar adiante estas CPIs onde todos podem "obter o direito de ficar calado" ou até de mentir?
Ridículo.

24 julho 2012

A inofensiva Caneta está para a Propina assim como a inofensiva Maconha para a Cocaina

Tudo se resolve na reação à primeira ação. Se a reação para o primeiro trago da maconha foi "legal, gostei, mas prá mim tá bom" e fica nisso, não haverá outras drogas no futuro. Por outro lado, "mas é só isso? não tem nada mais louco, não?" é o passaporte pra continuar a escalada ao limite.
Da mesma forma há duas reações para a canetinha que o síndico recebe de brinde de qualquer fornecedor de serviços e produtos. "Valeu, obrigado. Vou entregar pro meu sobrinho, ele vai gostar" é uma reação inteligente a esse presentinho insosso. Porém muitos respondem: "mas... só essa canetinha?".
E abre-se mais uma porta para a relação "faustiana" de um novo corrupto que vendeu sua alma na lama da propina para alcançar seus (e de seus próximos) fins escusos.
Enquanto houver rato que gosta desse tipo de carniça, esse Fausto não morre nunca.

16 julho 2012


TEMPORADA DE MORTES

Caetano Veloso
Chico Buarque
Gal Costa
Maria Bethânea
Belchior
Rita Lee
Jorge Mautner
Luis Melodia
Edu Lobo
Gilberto Gil
Tom Zé
...


Claro que faltam nomes aí em cima, mas são em sua maior parte oriundos dos anos 60, conhecidos senão no mundo todo, pelo menos na maior parte do Brasil, e todos eles – se eu for bom de matemática, por volta dos 70 anos, que sabemos ser uma idade onde nem tudo são flores.
Não tenho aqui interesse em ser dramático, nem amigo de coveiro, mas desde Tom Jobim não temos perdas na MPB em nível internacional. Tudo bem, vão lembrar de Wando, mas convenhamos: comparar Wando com Tom Jobim, nem vou comentar.
Meu pensamento segue noutras pairagens – neste Brasil varonil famoso em saber destruir muito melhor que construir. Sistema “Pinheirinho” de fazer cultura. Como diz o bordão: “Pinheirinho somos todos nós!” Esta frase é reveladora, significa que todos nós estamos sendo destruídos e ninguém lembra o que houve. Como nossos ídolos (“ainda são os mesmos”) e os Pinheirinhos nos deixam em longos hiatos de tempo, talvez não percebamos a importância que a existência destes nos proporciona.
Basta ver fotos do Anhangabaú de hoje com o Anhangabaú de 1920 para entender o que significa destruir os “Pinheirinhos”. Assim desaparecem nossos ícones, nossos ídolos, nossas histórias e lembranças.
E aí vem a reflexão: para nascer todos levam a princípio o mesmo tempo, vá-lá, os 271 dias normais. Mas prá morrer, bem... basta estar vivo.
Lembro do meu avô, 78 anos, ligou para VEJA, reclamando que ela não chegou, e deste jeito teve um ataque cardíaco (acho que essa expressão não existe mais) fulminante e do jeito que reclamou, ficou sentado na cadeira.
Ou meu tio vivendo em uma cidade do interior do Paraná, ótimo padrão de vida, nem 50 anos completos, saiu da porta de sua casa, indo até o portão para buscar o leite que foi entregue e lá ficou, dessa para melhor.
Aí pensei: já pensou? vai que... (parafraseando aquele comercial) – vai que Deus, se realmente há um Deus, decide nos fazer cair na real, e leva todos eles ao mesmo tempo? Ou com diferenças mínimas de dias entre um e outro? Como este país vai ficar? Quem iremos ouvir? Com quem iremos sonhar?
Por isso gosto de lembrar daquela música que diz que “o melhor lugar do mundo é aqui e agora”. O que lamento é que nós achamos que essas pessoas são imortais, que nunca irão desaparecer, assim como os Pinheirinhos, vieram para ficar, e de repente não estão mais lá. Pensamos alguns dias sobre isso e esquecemos. Queria ver quanto tempo levaria um pensamento se perdêssemos todos eles de repente.
Querer ir a um show que não vai mais ter, ouvir uma entrevista que não vai acontecer, ler um texto de algum deles que não será mais escrito.
E saber o que a história (não) nos reserva, fazendo-nos lembrar partes de um e nada de outros, como sempre, como tudo.
Talvez pela vergonha e pelo constrangimento que passamos diariamente ao ver como este país é administrado por nossos políticos, não sabemos valorizar o que temos, apenas o que perdemos. Igual a antigas namoradas, ou antigos namorados, e assim vai. Espero que não passemos por isso, mas...
Vai que...

31 maio 2012

O livro de Garanhuns - isso vai virar filme...

O melhor site que traz uma cronologia bem interessante do caso de Garanhuns está em http://oaprendizverde.com.br/?p=4732.
E consegui juntar uma grande parte do livro "Revelações de um Esquizofrênico" e transformei num PDF que pode ser baixado aqui.
Boa leitura. Para quem quer entender os limites da mente humana, um prato cheio.
Simplesmente não há limites.

29 maio 2012

Malemolência e Privilégios das Operadoras de Celular

Em celulares pós pagos, já repararam que se temos um saldo de digamos R$ 40,00 a vencer no mês seguinte e um saldo de R$ 100,00 a vencer daqui a 3 meses, as operadoras primeiro usam o saldo com vencimento mais distante para depois usar o mais próximo. Interessante, né? Qué moleza? Abra uma operadora de celular... Alô ANATEL? Vocês já acordaram?

15 abril 2012

"Anunciação" de Alceu Valença - adaptação livre

Uma nova "Anunciação" (espero que goste, grande Valença!)
[em homenagem ao "trator" da Nova Luz]


Na bruma leve das visões
Que vem do centro
Tu vens chegando
Prá acabar com meu quintal
No meu cavalo
Peito nu, cabelo ao vento
Vou recolhendo
Nossas roupas no varal

Nuvens, nuvens
Eu já escuto os temporais
Nuvens, nuvens
Eu já escuto os temporais

A voz do raio
Sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido
Já escuto os teus sinais
Que tu virias
Numa manhã de domingo
Eu te anuncio
Nos sinos das catedrais

Nuvens, nuvens
Eu já escuto os temporais
Nuvens, nuvens
Eu já escuto os temporais

05 abril 2012

Sao Paulo Mundo Cão = "Blog do Tsavkko" (reproduzindo)

São Paulo Mundo Cão <--- link oficial da matéria
-------
São Paulo, quinta-feira, dia primeiro de março, por volta das 20 horas. 

Saio de um hospital próximo da Avenida Paulista com minha namorada depois de passar o dia com meu avô, que irá passar por uma operação no dia seguinte para remover de vez um maldito câncer contra o qual vem lutando. Nada pior do que, no auge de seus 76 anos, ter de passar por algo assim.

Então saímos do hospital para uma curta caminhada até a Consolação para tomar um ônibus para casa, tensos, preocupados, mas esperançosos pelo dia que viria. Nem bem demos alguns passos e de forma quase alegórica, avistamos uma sem-teto seminua, apenas com uma camisa roxa e mais nada, sem dentes e aparentemente sofrendo de graves problemas mentais deitada - ou mesmo estatelada - ao lado do prédio do Banco Central.

Curioso, até alegórico uma situação tão absurda ao lado do centro de poder econômico e financeiro da nossa economia, a sexta do mundo, mas de uma desigualdade gritante e absurda. Abjeta.

A mulher, que nos disser não ter sequer 50 anos, parecia ter 70 - ou mais. Perdida, morava na rua desde que pode se lembrar. Baiana, mais uma vítima da cidade de São Paulo, que sabe atrair nordestinos, engolí-los sem mastigar e depois defecá-los, como pedaços de merda. Mas não só nordestinos, claro. Negra, como a maior parte daqueles que sofrem até hoje nas mãos da elite branca.

Encostada numa parede, mais exatamente na porta de uma agência bancária - outra ironia cruel - a pobre sem-teto gritava contra inimigos invisíveis, dizia repetidamente que tinha "gente" querendo sair pelas suas pernas cobertas de machucados e que, por isso, havia tirado sua saia em algum lugar da cidade e se encontrava daquele jeito. Exposta, vulnerável e ignorada.

Pessoas passavam e olhavam com um sorriso irônico, um "freak-show" tipicamente paulista. Clientes do banco onde ela em frente jazia olhavam ora com desprezo, ora com indiferença e sacavam seu dinheiro ao passo que tudo parecia caminhar na mais completa e total normalidade.

Nos aproximamos e começamos a conversar com ela. Minha namorada tentava tirar informações dela: Nome, onde vivia - na rua -, porque estava naquela situação - era a "gente" que saía dela -, se queria ir a um hospital - havia saído naquele dia de um, mas não sabia qual. Sem dúvida deveria ser denunciado. Conseguimos pouca coisa.

Eu tuitava, denunciando a situação e buscava telefones para saber pra quem poderíamos ligar em auxílio.
Ligamos para o SAMU (192) e este nos respondeu... 5 horas depois. E tiveram a cara de pau de perguntar se a pobre mulher ainda estava lá. Talvez se não tivéssemos dito que se tratava de uma sem-teto o atendimento fosse mais rápido. Mas não quero tirar conclusões precipitadas pois sei do trabalho que faz o SAMU e de como são ocupados. Mas mesmo assim...

Um senhor que passava tentou ligar para a Assistência Social da prefeitura. Depois de ficar pendurado no 156 (telefone dos serviços da Prefeitura) e de ter a ligação cortada e números errados passados, conseguiu ligar para acabar com uma atendente que o chamava de grosso e dizia que não poderia fazer nada, que a pobre mulher é quem deveria pedir ajuda!

Ele, corretamente, dizia que cabia ao Estado fazer seu papel, de garantir auxílio à ela e que não estava sendo grosso, apenas exigindo ser ouvido e que se fizesse algo. Não faço idéia se a Assistência Social fez algo ou se simplesmente ignorou completamente, com faz o poder público de São Paulo.

Aliás, minto, São Paulo não ignora seus sem-teto, seus mendigos. Os trata como lixo e os marginaliza ainda mais. Prefeitura os criminaliza, população não os vê, ou se os enxerga, ri, passa sem se preocupar. Não é com eles. O sofrimento humano é apenas algo normal, alguns devem ficar pra trás.

Uma senhora que acompanhava tudo foi até uma loja do outro lado da rua e comprou uma calcinha e um vestido para a pobre mulher, e um lanche numa lanchonete próxima.

Engraçado é que tanto o senhor, quanto a senhora que, sem dúvida, fizeram aquilo que achavam que podiam, só se aproximaram da pobre mulher no chão quando nós o fizemos. Não penso mal deles por isso, mas compreendo. Há um distanciamento claro entre "nós" e os "párias" sociais. Há um estranhamento que dificilmente é superado. É preciso um pequeno passo, uma pequena demonstração de humanidade e finalmente algo se move.

Posso estar errado. Sem duvida. Mas me permito ao menos tentar entender.

Neste meio tempo um homem, também sem teto, se aproximou, perguntando se iríamos a levar para casa. De início achei ofensivo, mas ele explicou: A pobreza extrema leva a loucura. O abandono, a solidão. Ou seja, nada do que fizéssemos alteraria a realidade. Poderíamos dar comida, dinheiro, roupas... Mas nada alteraria sua realidade de sofrimento. Sua história.

Dei dez reais a ele. Mas acho que o principal foi ouví-lo. Dizia ser solitário, ter sido abandonado até pelos pais e há 20 anos vivia na rua. sofria todo tipo de preconceito, de violência e ameaças de morte apenas por existir. Depois da curta conversa ele me estendeu a mão, meio receoso que eu fosse talvez sentir nojo, afinal, eu, um rapaz de classe média apertar a mão de um sem teto que não tomava banho ha dias!

Apertei com gosto e senti vontade de abraçá-lo. De ouví-lo mais. De poder... fazer alguma coisa. por ele e por todos em uma situação simplesmente incompatível com a ideia de humanidade.

Alimentada dentro do possível naquele momento e vestida, com a promessa de que esperaria pela ajuda, a deixamos, com os corações apertados. voltamos para nossas casas confortáveis, para nossas vidas e deixamos tudo pra trás, toda a degradação da sociedade e da cidade, toda a miséria e a tristeza que só um mundo cão pode proporcionar.

Seu nome, caso interesse a alguém, era Adriana, pelo que ela nos contou. Mais uma vítima de São Paulo, do Brasil, do Capitalismo e do descaso. Um ser humano com nome e com direito à dignidade. Mas este direito lhe foi negado, como a milhões de brasileiras e brasileiros, abandonados neste boom econômico que a tantos nubla a visão e a capacidade crítica.

No momento em que escrevia, na madrugada do mesmo dia, não sabia se ficariam bem. Felizmente hoje, um mês depois, sei que meu avô se recupera, mas nada sei da Adriana...