[em homenagem ao "trator" da Nova Luz]
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15 abril 2012
"Anunciação" de Alceu Valença - adaptação livre
Uma nova "Anunciação" (espero que goste, grande Valença!)
[em homenagem ao "trator" da Nova Luz]
[em homenagem ao "trator" da Nova Luz]
Na bruma leve das visões
Que vem do centro
Tu vens chegando
Prá acabar com meu quintal
No meu cavalo
Vou recolhendo
Nossas roupas no varal
Nuvens, nuvens
Eu já escuto os temporais
Nuvens, nuvens
Eu já escuto os temporais
A voz do raio
Sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido
Já escuto os teus sinais
Que tu virias
Numa manhã de domingo
Eu te anuncio
Nos sinos das catedrais
Nuvens, nuvens
Eu já escuto os temporais
Nuvens, nuvens
Eu já escuto os temporais
05 abril 2012
Sao Paulo Mundo Cão = "Blog do Tsavkko" (reproduzindo)
São Paulo Mundo Cão <--- link oficial da matéria
-------
São Paulo, quinta-feira, dia primeiro de março, por volta das 20 horas.
Saio de um hospital próximo da Avenida Paulista com minha namorada depois de passar o dia com meu avô, que irá passar por uma operação no dia seguinte para remover de vez um maldito câncer contra o qual vem lutando. Nada pior do que, no auge de seus 76 anos, ter de passar por algo assim.
Então saímos do hospital para uma curta caminhada até a Consolação para tomar um ônibus para casa, tensos, preocupados, mas esperançosos pelo dia que viria. Nem bem demos alguns passos e de forma quase alegórica, avistamos uma sem-teto seminua, apenas com uma camisa roxa e mais nada, sem dentes e aparentemente sofrendo de graves problemas mentais deitada - ou mesmo estatelada - ao lado do prédio do Banco Central.
Curioso, até alegórico uma situação tão absurda ao lado do centro de poder econômico e financeiro da nossa economia, a sexta do mundo, mas de uma desigualdade gritante e absurda. Abjeta.
A mulher, que nos disser não ter sequer 50 anos, parecia ter 70 - ou mais. Perdida, morava na rua desde que pode se lembrar. Baiana, mais uma vítima da cidade de São Paulo, que sabe atrair nordestinos, engolí-los sem mastigar e depois defecá-los, como pedaços de merda. Mas não só nordestinos, claro. Negra, como a maior parte daqueles que sofrem até hoje nas mãos da elite branca.
Encostada numa parede, mais exatamente na porta de uma agência bancária - outra ironia cruel - a pobre sem-teto gritava contra inimigos invisíveis, dizia repetidamente que tinha "gente" querendo sair pelas suas pernas cobertas de machucados e que, por isso, havia tirado sua saia em algum lugar da cidade e se encontrava daquele jeito. Exposta, vulnerável e ignorada.
Pessoas passavam e olhavam com um sorriso irônico, um "freak-show" tipicamente paulista. Clientes do banco onde ela em frente jazia olhavam ora com desprezo, ora com indiferença e sacavam seu dinheiro ao passo que tudo parecia caminhar na mais completa e total normalidade.
Nos aproximamos e começamos a conversar com ela. Minha namorada tentava tirar informações dela: Nome, onde vivia - na rua -, porque estava naquela situação - era a "gente" que saía dela -, se queria ir a um hospital - havia saído naquele dia de um, mas não sabia qual. Sem dúvida deveria ser denunciado. Conseguimos pouca coisa.
Eu tuitava, denunciando a situação e buscava telefones para saber pra quem poderíamos ligar em auxílio.
Ligamos para o SAMU (192) e este nos respondeu... 5 horas depois. E tiveram a cara de pau de perguntar se a pobre mulher ainda estava lá. Talvez se não tivéssemos dito que se tratava de uma sem-teto o atendimento fosse mais rápido. Mas não quero tirar conclusões precipitadas pois sei do trabalho que faz o SAMU e de como são ocupados. Mas mesmo assim...
Um senhor que passava tentou ligar para a Assistência Social da prefeitura. Depois de ficar pendurado no 156 (telefone dos serviços da Prefeitura) e de ter a ligação cortada e números errados passados, conseguiu ligar para acabar com uma atendente que o chamava de grosso e dizia que não poderia fazer nada, que a pobre mulher é quem deveria pedir ajuda!
Ele, corretamente, dizia que cabia ao Estado fazer seu papel, de garantir auxílio à ela e que não estava sendo grosso, apenas exigindo ser ouvido e que se fizesse algo. Não faço idéia se a Assistência Social fez algo ou se simplesmente ignorou completamente, com faz o poder público de São Paulo.
Aliás, minto, São Paulo não ignora seus sem-teto, seus mendigos. Os trata como lixo e os marginaliza ainda mais. Prefeitura os criminaliza, população não os vê, ou se os enxerga, ri, passa sem se preocupar. Não é com eles. O sofrimento humano é apenas algo normal, alguns devem ficar pra trás.
Uma senhora que acompanhava tudo foi até uma loja do outro lado da rua e comprou uma calcinha e um vestido para a pobre mulher, e um lanche numa lanchonete próxima.
Engraçado é que tanto o senhor, quanto a senhora que, sem dúvida, fizeram aquilo que achavam que podiam, só se aproximaram da pobre mulher no chão quando nós o fizemos. Não penso mal deles por isso, mas compreendo. Há um distanciamento claro entre "nós" e os "párias" sociais. Há um estranhamento que dificilmente é superado. É preciso um pequeno passo, uma pequena demonstração de humanidade e finalmente algo se move.
Posso estar errado. Sem duvida. Mas me permito ao menos tentar entender.
Neste meio tempo um homem, também sem teto, se aproximou, perguntando se iríamos a levar para casa. De início achei ofensivo, mas ele explicou: A pobreza extrema leva a loucura. O abandono, a solidão. Ou seja, nada do que fizéssemos alteraria a realidade. Poderíamos dar comida, dinheiro, roupas... Mas nada alteraria sua realidade de sofrimento. Sua história.
Dei dez reais a ele. Mas acho que o principal foi ouví-lo. Dizia ser solitário, ter sido abandonado até pelos pais e há 20 anos vivia na rua. sofria todo tipo de preconceito, de violência e ameaças de morte apenas por existir. Depois da curta conversa ele me estendeu a mão, meio receoso que eu fosse talvez sentir nojo, afinal, eu, um rapaz de classe média apertar a mão de um sem teto que não tomava banho ha dias!
Apertei com gosto e senti vontade de abraçá-lo. De ouví-lo mais. De poder... fazer alguma coisa. por ele e por todos em uma situação simplesmente incompatível com a ideia de humanidade.
Alimentada dentro do possível naquele momento e vestida, com a promessa de que esperaria pela ajuda, a deixamos, com os corações apertados. voltamos para nossas casas confortáveis, para nossas vidas e deixamos tudo pra trás, toda a degradação da sociedade e da cidade, toda a miséria e a tristeza que só um mundo cão pode proporcionar.
Seu nome, caso interesse a alguém, era Adriana, pelo que ela nos contou. Mais uma vítima de São Paulo, do Brasil, do Capitalismo e do descaso. Um ser humano com nome e com direito à dignidade. Mas este direito lhe foi negado, como a milhões de brasileiras e brasileiros, abandonados neste boom econômico que a tantos nubla a visão e a capacidade crítica.
No momento em que escrevia, na madrugada do mesmo dia, não sabia se ficariam bem. Felizmente hoje, um mês depois, sei que meu avô se recupera, mas nada sei da Adriana...
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São Paulo, quinta-feira, dia primeiro de março, por volta das 20 horas.
Saio de um hospital próximo da Avenida Paulista com minha namorada depois de passar o dia com meu avô, que irá passar por uma operação no dia seguinte para remover de vez um maldito câncer contra o qual vem lutando. Nada pior do que, no auge de seus 76 anos, ter de passar por algo assim.
Então saímos do hospital para uma curta caminhada até a Consolação para tomar um ônibus para casa, tensos, preocupados, mas esperançosos pelo dia que viria. Nem bem demos alguns passos e de forma quase alegórica, avistamos uma sem-teto seminua, apenas com uma camisa roxa e mais nada, sem dentes e aparentemente sofrendo de graves problemas mentais deitada - ou mesmo estatelada - ao lado do prédio do Banco Central.
Curioso, até alegórico uma situação tão absurda ao lado do centro de poder econômico e financeiro da nossa economia, a sexta do mundo, mas de uma desigualdade gritante e absurda. Abjeta.
A mulher, que nos disser não ter sequer 50 anos, parecia ter 70 - ou mais. Perdida, morava na rua desde que pode se lembrar. Baiana, mais uma vítima da cidade de São Paulo, que sabe atrair nordestinos, engolí-los sem mastigar e depois defecá-los, como pedaços de merda. Mas não só nordestinos, claro. Negra, como a maior parte daqueles que sofrem até hoje nas mãos da elite branca.
Encostada numa parede, mais exatamente na porta de uma agência bancária - outra ironia cruel - a pobre sem-teto gritava contra inimigos invisíveis, dizia repetidamente que tinha "gente" querendo sair pelas suas pernas cobertas de machucados e que, por isso, havia tirado sua saia em algum lugar da cidade e se encontrava daquele jeito. Exposta, vulnerável e ignorada.
Pessoas passavam e olhavam com um sorriso irônico, um "freak-show" tipicamente paulista. Clientes do banco onde ela em frente jazia olhavam ora com desprezo, ora com indiferença e sacavam seu dinheiro ao passo que tudo parecia caminhar na mais completa e total normalidade.
Nos aproximamos e começamos a conversar com ela. Minha namorada tentava tirar informações dela: Nome, onde vivia - na rua -, porque estava naquela situação - era a "gente" que saía dela -, se queria ir a um hospital - havia saído naquele dia de um, mas não sabia qual. Sem dúvida deveria ser denunciado. Conseguimos pouca coisa.
Eu tuitava, denunciando a situação e buscava telefones para saber pra quem poderíamos ligar em auxílio.
Ligamos para o SAMU (192) e este nos respondeu... 5 horas depois. E tiveram a cara de pau de perguntar se a pobre mulher ainda estava lá. Talvez se não tivéssemos dito que se tratava de uma sem-teto o atendimento fosse mais rápido. Mas não quero tirar conclusões precipitadas pois sei do trabalho que faz o SAMU e de como são ocupados. Mas mesmo assim...
Um senhor que passava tentou ligar para a Assistência Social da prefeitura. Depois de ficar pendurado no 156 (telefone dos serviços da Prefeitura) e de ter a ligação cortada e números errados passados, conseguiu ligar para acabar com uma atendente que o chamava de grosso e dizia que não poderia fazer nada, que a pobre mulher é quem deveria pedir ajuda!
Ele, corretamente, dizia que cabia ao Estado fazer seu papel, de garantir auxílio à ela e que não estava sendo grosso, apenas exigindo ser ouvido e que se fizesse algo. Não faço idéia se a Assistência Social fez algo ou se simplesmente ignorou completamente, com faz o poder público de São Paulo.
Aliás, minto, São Paulo não ignora seus sem-teto, seus mendigos. Os trata como lixo e os marginaliza ainda mais. Prefeitura os criminaliza, população não os vê, ou se os enxerga, ri, passa sem se preocupar. Não é com eles. O sofrimento humano é apenas algo normal, alguns devem ficar pra trás.
Uma senhora que acompanhava tudo foi até uma loja do outro lado da rua e comprou uma calcinha e um vestido para a pobre mulher, e um lanche numa lanchonete próxima.
Engraçado é que tanto o senhor, quanto a senhora que, sem dúvida, fizeram aquilo que achavam que podiam, só se aproximaram da pobre mulher no chão quando nós o fizemos. Não penso mal deles por isso, mas compreendo. Há um distanciamento claro entre "nós" e os "párias" sociais. Há um estranhamento que dificilmente é superado. É preciso um pequeno passo, uma pequena demonstração de humanidade e finalmente algo se move.
Posso estar errado. Sem duvida. Mas me permito ao menos tentar entender.
Neste meio tempo um homem, também sem teto, se aproximou, perguntando se iríamos a levar para casa. De início achei ofensivo, mas ele explicou: A pobreza extrema leva a loucura. O abandono, a solidão. Ou seja, nada do que fizéssemos alteraria a realidade. Poderíamos dar comida, dinheiro, roupas... Mas nada alteraria sua realidade de sofrimento. Sua história.
Dei dez reais a ele. Mas acho que o principal foi ouví-lo. Dizia ser solitário, ter sido abandonado até pelos pais e há 20 anos vivia na rua. sofria todo tipo de preconceito, de violência e ameaças de morte apenas por existir. Depois da curta conversa ele me estendeu a mão, meio receoso que eu fosse talvez sentir nojo, afinal, eu, um rapaz de classe média apertar a mão de um sem teto que não tomava banho ha dias!
Apertei com gosto e senti vontade de abraçá-lo. De ouví-lo mais. De poder... fazer alguma coisa. por ele e por todos em uma situação simplesmente incompatível com a ideia de humanidade.
Alimentada dentro do possível naquele momento e vestida, com a promessa de que esperaria pela ajuda, a deixamos, com os corações apertados. voltamos para nossas casas confortáveis, para nossas vidas e deixamos tudo pra trás, toda a degradação da sociedade e da cidade, toda a miséria e a tristeza que só um mundo cão pode proporcionar.
Seu nome, caso interesse a alguém, era Adriana, pelo que ela nos contou. Mais uma vítima de São Paulo, do Brasil, do Capitalismo e do descaso. Um ser humano com nome e com direito à dignidade. Mas este direito lhe foi negado, como a milhões de brasileiras e brasileiros, abandonados neste boom econômico que a tantos nubla a visão e a capacidade crítica.
No momento em que escrevia, na madrugada do mesmo dia, não sabia se ficariam bem. Felizmente hoje, um mês depois, sei que meu avô se recupera, mas nada sei da Adriana...
28 janeiro 2012
Retroescavadeiras e Operadores
Qual o salário de um operador de retroescavadeira? Muito maior que de um trabalhador que morava no Pinheirinho? O que passa na cabeça de um ser-humano com este trabalho para aceitar derrubar sem dó nem piedade a casa de milhares de pais de família que lá possuem seus bens? O que leva a um operador de retroescavadeira, ainda não contente em derrubar uma casa com todos os pertences, amassar com seu equipamento a geladeira que sobrou na demolição? Os neurônios que existem nestes funcionários me parecem semelhantes àqueles que durante a 2a. Guerra Mundial matavam familias inteiras e perguntados simplesmente respondiam: "eu recebi ordens, eu cumpro ordens." Impressionante que ainda exista, em pleno século XXI, pessoas que não tem o mínimo senso de ética e de justiça. Agem ligando o "piloto automático" e não se questiona pedidos. Lamentável que assim seja. O vídeo fala por si. /p
14 outubro 2011
Edição fresquinha...
aê pessoas. Abaixo vcs podem conferir meu último trabalho de edição. Fiquem à vontade para comentar, criticar ou sugerir. Assim como fiz por uma boa causa, tb saberei ouvir o que todos têm a dizer por causas melhores. Obrigado.
Famílias da zona leste de São Paulo organizadas em movimento popular de moradia são despejadas de suas casas em São Mateus. O trabalho trata das adversidades vividas por mulheres e a necessidade da organização e resistência diante da falta de moradia. Registra momentos em que o sujeito traz à tona as condições de vida que o levam à resistência. Parte da perspectiva de que a resistência política passa pela resistência particular e, portanto uma decisão pessoal. São Paulo, Hi8 + Fotos RAW, 2011, 11'19"
Ou seja:
cinema,
moradia,
política social
12 julho 2011
Prédio na cracolândia vive ruína e vira palco de crimes
Vale à pena ver o finzinho, pra ver o que é "síndico de verdade"
tá vendo? Isso que é "síndico"... Eu devia ter conhecido essa senhora antes, assim eu teria sido mais cabra-macho no meu prédio, e não teria acontecido o que aconteceu.
tá vendo? Isso que é "síndico"... Eu devia ter conhecido essa senhora antes, assim eu teria sido mais cabra-macho no meu prédio, e não teria acontecido o que aconteceu.
Ou seja:
cidade,
cracolandia,
imprensa,
Manratos,
moradia
26 março 2010
03 abril 2009
Loteamento do centro de São Paulo com vistas a 2014

Com a fome em comprar e derrubar prédios que o Sr. Kassabão e sua equipe demonstram, fica evidente a transformação de São Paulo num parque de obras para vender unidades daqui a 5 anos (por uma incrível coincidência, ano de copa do mundo) a preços 10 vezes mais altos.
Um rápido raciocínio: o metro quadrado no centro sai por volta de R$ 1.000,00. Em qualquer metrópole mundial, o metro quadrado nos centros está por volta de 8 mil a 10 mil reais. Logo, nada melhor que lotear toda região para iniciativa privada, eles desapropriam nem que seja por 2 mil o metro quadrado, para em 5 anos vender a 8 mil, 10 mil. Não é um bom negócio??? Um engenheiro falido como Dr. Kassabão e sua equipe podem não saber construir prédio, mas sabem derrubar e fazer dinheiro.
Quer conhecer mais o tema centro e Plano Diretor? Alguns sites:
http://bairrosvivos.blogspot.com/
http://www.centrovivo.org/
Ou seja:
cidade,
cracolandia,
moradia,
política social
20 outubro 2006
PRESTES MAIA: SÍMBOLO DA LUTA POR MORADIA E DIGNIDADE
Imagine um lugar histórico do centro de São Paulo: a Praça do Patriarca, da República,ou o Vale do Anhangabaú.Imagine uma favela nascendo em um desses locais, com seus barracos improvisados sendo erguidos por cerca de 2000 pessoas, moradoras da então maior ocupação vertical da América Latina, a Prestes Maia.
Esse cenário pode em breve se tornar realidade caso a reintegração de posse do imóvel se concretize e o poder público não ofereça uma alternativa digna às 468 famílias que vivem no Prestes Maia desde 2002, preferindo expulsá-las na tentativa de mantê-las longe da região, que ora passa por um processo de 'revitalização' extremamente gentrificador e excludente.
Mesmo sendo um sonegador de impostos, devendo um IPTU que ultrapassa os R$ 5 milhões, e abandonando o imóvel à especulação imobiliária por quase 15 anos, o proprietário tem a justiça do seu lado. Apesar de a Constituição Federal garantir que todo imóvel deve ter uma destinação social e que todo cidadão tem direito à moradia assegurado pelo Estado; a Prefeitura de São Paulo, os Governos Estadual e Federal continuam sem propostas concretas para oferecer às famílias organizadas no movimento popular.
Essas famílias deram função social ao imóvel: retiraram 200 caminhões de lixo e entulho do prédio, se organizaram na manutenção da limpeza e segurança, afastaram o tráfico de drogas e criminalidade, tornaram o ambiente 'familiar' e repleto de atividades – hoje há uma biblioteca no prédio, programas de reciclagem, de educação, intervenções e oficinas culturais - e o Prestes Maia pulsa no centro da cidade, que pertence e é construída todos os dias pelos mesmos homens e mulheres que sobem e descem os 22 andares de escada do prédio logo cedo rumo ao trabalho, dividem banheiros coletivos, se solidarizam com as necessidades dos vizinhos, organizam festas para celebrar a união dos moradores e juntos lutam por dignidade e resistem a imposição feroz do capital especulativo, do poder coercitivo e de uma opinião pública manipulada que teima em pregar rótulos pejorativos nesses cidadãos.
Os movimentos de luta por moradia em São Paulo nunca exigiram esmolas: a reivindicação é pela inclusão de famílias de baixa renda em programas habitacionais que devem ser implantados pelos três níveis de poder. Dinheiro há, faltam vontade política e preocupação com o social em detrimento a projetos eleitoreiros e capitalistas. Como afirmou o Secretário da Habitação do município, Orlando Almeida Filho, "Essas pessoas [entende-se, os pobres] não vão consumir, não vão ao Mappin comprar gravata, não vão no teatro comprar ingresso, e assim por diante, e (se eles continuarem ali) o que vamos ter na região central, uma favela nova, um cortiço novo?" (em entrevista à Caros Amigos – nov/05) . A resposta é sim! As famílias do Prestes Maia continuarão vivendo no centro, onde a maioria tem seu trabalho informal, as crianças e adolescentes estudam e onde construíram suas relações sociais. A CIDADE LHES PERTENCE COMO A TODOS QUE AQUI VIVEM. A resistência se dará em forma de acampamentos no centro e manifestações políticas, para insatisfação do ilustre Secretário, autor de 'pérolas da segregação e autoritarismo'.
A sociedade precisa se manifestar contra o projeto higienista da cidade – que não condiz com a cidade que queremos e trabalhamos para construir - e apoiar a garantia dos direitos humanos das 2000 pessoas que vivem no Prestes Maia!
Temos que lutar juntos!
Esse cenário pode em breve se tornar realidade caso a reintegração de posse do imóvel se concretize e o poder público não ofereça uma alternativa digna às 468 famílias que vivem no Prestes Maia desde 2002, preferindo expulsá-las na tentativa de mantê-las longe da região, que ora passa por um processo de 'revitalização' extremamente gentrificador e excludente.
Mesmo sendo um sonegador de impostos, devendo um IPTU que ultrapassa os R$ 5 milhões, e abandonando o imóvel à especulação imobiliária por quase 15 anos, o proprietário tem a justiça do seu lado. Apesar de a Constituição Federal garantir que todo imóvel deve ter uma destinação social e que todo cidadão tem direito à moradia assegurado pelo Estado; a Prefeitura de São Paulo, os Governos Estadual e Federal continuam sem propostas concretas para oferecer às famílias organizadas no movimento popular.
Essas famílias deram função social ao imóvel: retiraram 200 caminhões de lixo e entulho do prédio, se organizaram na manutenção da limpeza e segurança, afastaram o tráfico de drogas e criminalidade, tornaram o ambiente 'familiar' e repleto de atividades – hoje há uma biblioteca no prédio, programas de reciclagem, de educação, intervenções e oficinas culturais - e o Prestes Maia pulsa no centro da cidade, que pertence e é construída todos os dias pelos mesmos homens e mulheres que sobem e descem os 22 andares de escada do prédio logo cedo rumo ao trabalho, dividem banheiros coletivos, se solidarizam com as necessidades dos vizinhos, organizam festas para celebrar a união dos moradores e juntos lutam por dignidade e resistem a imposição feroz do capital especulativo, do poder coercitivo e de uma opinião pública manipulada que teima em pregar rótulos pejorativos nesses cidadãos.
Os movimentos de luta por moradia em São Paulo nunca exigiram esmolas: a reivindicação é pela inclusão de famílias de baixa renda em programas habitacionais que devem ser implantados pelos três níveis de poder. Dinheiro há, faltam vontade política e preocupação com o social em detrimento a projetos eleitoreiros e capitalistas. Como afirmou o Secretário da Habitação do município, Orlando Almeida Filho, "Essas pessoas [entende-se, os pobres] não vão consumir, não vão ao Mappin comprar gravata, não vão no teatro comprar ingresso, e assim por diante, e (se eles continuarem ali) o que vamos ter na região central, uma favela nova, um cortiço novo?" (em entrevista à Caros Amigos – nov/05) . A resposta é sim! As famílias do Prestes Maia continuarão vivendo no centro, onde a maioria tem seu trabalho informal, as crianças e adolescentes estudam e onde construíram suas relações sociais. A CIDADE LHES PERTENCE COMO A TODOS QUE AQUI VIVEM. A resistência se dará em forma de acampamentos no centro e manifestações políticas, para insatisfação do ilustre Secretário, autor de 'pérolas da segregação e autoritarismo'.
A sociedade precisa se manifestar contra o projeto higienista da cidade – que não condiz com a cidade que queremos e trabalhamos para construir - e apoiar a garantia dos direitos humanos das 2000 pessoas que vivem no Prestes Maia!
Temos que lutar juntos!
PETIÇÃO CONTRA DESPEJO DA OCUPAÇÃO PRESTES MAIA
PETIÇÃO CONTRA DESPEJO DA OCUPAÇÃO PRESTES MAIA
http://www.petitiononline.com/pmaia911/
FLM – Frente de Luta por Moradia MSTC - Movimento dos Sem Teto do Centro Associação dos Moradores do Prestes Maia 55 (11) 3333-1925 55 (11) 3361-3403
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